sábado, 31 de agosto de 2013

Pecados Meus Que Não Confessei

Pecados meus que não confessei,
forçado fui eu a cometer-vos tanto;
   agora vos deixo à este relento,
cansado estou do tanto que pequei.

Vos que pelos desejos me ofertei,
desejo da carne que pago no pranto;
não mais quero este pecado manto,
despi-vos porque má fama ganhei.

Alma minha que antes era santa,
poluiram-a seduzindo meus olhos;
mostrando-lhe os teus feitiços.

Nem que chouva água benta,
condenado estou e colho-os;
voltar, quero tanto aos começos.

António Vicente
07.04.13
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Nossa Arte Faça-mo-lo Encantando

Não deixai-me caminhar sozinho
Preciso-te comigo aqui espalhando
Nossa arte, façamo-lo encantando
Eterno é, percorrermos este caminho

Para torna-lo um fato, tanto alinho
À angústia, alívio; vamos doando
E aos desamores, amores poetando
Estará na anamnesia do pergaminho

Sem fugir regra qualquer, cantemos,
No som do soneto, todas revoltas,
Nosso descontentamento presente;

São todas retas estás linhas tortas,
Andemos nela alegre desigualmente;
Algo valeroso, pela poesia, o façamos.

António Vicente
24.07.13
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Vosso Pão Em Favor Meu O Amor

Vosso pão, em favor o meu amor
É o que tanto querem que eu vós dê
Se dar-vos-ei o vosso coração  crê
Engando está pois dar-vos-ei pudor

Perder decoro meu p'ra calar minha dor ?
Eis que algo valeroso vem pela minha fé
Fingir-vos meu amor, jamais ! Antevê
Que nem dar-vos-ei quaisquer ardor

Ostentem o vosso querer caprichoso
Morram de ansiedades de ter meu corpo
Morram ainda mais para terem o  coração

Se tudo têm por quê querem o meu pouco ?
Para vós, em mim nascerá apenas afeição
Tanto Fez-me está vida um homem zeloso

António Vicente
31.07.13
©

A Loira que fogo ardia

A Loira que fogo ardia,
Tão alta brasa elevou;
De paixão se espalhou,
Que o enfogo eu sentia.

Além, meu coração via,
Um amor que começou,
Quando sua voz rasgou;
Alma minha antes fria.

Em todos de mim havia,
Incerteza do que forte vinha,
Dos seus desejos vulcões;

Se era devaneio, já o tinha,
Embora deteste paixões;
Meu coração tanto a vivia.

António Vicente Aposiopese

Se Venha Eu Morrer Primeiro

Se venha eu morrer primeiro,
Plante poesias sob os meus pés;
A pedido de um guerrelheiro,
Cave o meu túmulo com o que tu lês.

Poetise com sublime alegria,
Cada centímetro da minha cova;
Orna-me com minha poesia,
E faça dela a minha roupa.

Seja tu a voz do poema,
Para os meus ouvidos;
E recita cada tema,
Dos meus zumbidos.

Contém o teu lacremejar...
Após o velório sorria e diga amém !
Porque hei-de voltar !...

António Vicente Aposiopese
12/10/12
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Linda de Ventre na Cabeça o pote

Linda de ventre na cabeça o pote,
Antecede a aurora e se levanta;
Quadris dançando quando anda,
Lá vai de carapinhas e sem decote.

Fez-lhe essa vida um tenro mote,
Num sorrir perpétuo tudo encanta;
Afoga-o suavemente quando canta,
Sua dor para que ninguém o note.

Só com o sol da sua alma longe vai,
Tocando a si e ela a lâmina da brisa,
Que faz da dor do seu corpo um rito.

Antes, sua voz etérea em mim poisa
Despedindo-me do que apenas eu fito
Linda de carapinha, sem decote lá vai

António Vicente

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Ló

Ló

Vieram ao Ló, os anjos do Deus de Abraão,
Anunciando o fim de Sodoma e Gomorra;
Disseram-o: pegue teus pertences e corra,
Do Céu, cairá fogo de enxofre até este  chão.

Não te vires e vá naquela montanhosa região,
Acabaria Deus, das duas cidades toda zorra,
Apressa-te, que o revés vem sobre está terra;
E viu Abraão uma fumaça como de calcinação.

Estava Ló em Zoar e foi para as montanhas,
Transformada em coluna de sal, pelo caminho,
Ficou a esposa de Ló no instante que se virou.

As duas filhas pensaram em dar ao pai vinho,
Para manter a geração, uma com o pai se deitou;
Depois a outra o mesmo fez em terras estranhas

António Vicente Aposiopese
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Vou fazer um Poema Para África

Um poema para África

Vou fazer um poema para África
Um poema repleto de fome
Gorda de miséria que nos seca !
Poema de gente quase sem nome !

Um poema que canta Somália !
E que traga minha infância anêmica
Vou fazer um poema com voz de penúria
Que mostre a rica pobreza angolana

Um ode cantado no megafone
Da zungueira que co'voz mostra a nudez de cá
Poema de egoísmo que concebe clone

Que dolorosamente geme sangue
No âmago das minhas  lágrimas
Um poema sem voz bilingüe...

António Vicente Aposiopese

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Mar Devolveu-tê À Mim

O Mar Devolveu-tê Á Mim

Não vá morrer nenhuma de ti,
Traga o sol dos seus olhos;
O mar devolveu-tê á mim

Morri para viveres nas eternidades,
Dos meus versos que por ti canto;
Não durma no infinito do meu pranto,
Quero sentir teus pés nas minhas cidades,
De trovas contínuas vestidas de felicidades;
Nada e ninguém tem direito de dar-tê o fim,
O mar devolveu-tê á mim.

António Vicente Aposiopese

Teus Óleos De Girassol

Teus Óleos De Girassol

Lindamente desabroxa o sol;
Em pétalas quentes e frias
E nas noites dos meus dias
Colher, vou teus óleos de girassol

Escorrendo vão correndo no lençol
Dos teus peitos que cantam ousadias
De poesias que ardentimente escondias
No segredo das tuas pernas de anzol

Rios dos meus amores afogados
Desaguam nas colinas do teu ventre
Contaminando os teus pescados

Decorei teu ponto G e todos inflamados
Lábios labirintos na mão e na mente
Quem fui eu dentre teus amados ?

Autor: António Vicente Aposiopese

Dádivas Á Meu Coração

Para o Pai se ergueram os braços
Do meu Coração e senti abraços; de poesia
Todo de mim forte ardia; e diferente dizia
Em cada verso que escrevia; senti laços

Senti Deus nos meus sanguíneos vasos
Não escassos; todo eu comigo via
O que em súplicas pedia; sem perceber o fazia
Além do mais que queria; faço-os e não por acasos

O tenho c'os amores e faço co'paixão
Jamais afogar-se-a no caixão; teme-lhe a morte
Chamam-lhe sorte; bênçãos de Sua mão ?

Plantados  no alto meus frutos serão
O que comeis são; desde o mote
Dádivas Á Meu Coração

Autor: António Vicente

Ambos Frutos Proibidos


46. Ambos Frutos Proibidos

Trovejam fortes orgasmos
No teu olhar de me ver passar
Tens que de mim se cansar
Pois nada juntos damos

Siga teu norte e lá vamos...
Cada vendo seu coração vazar
Este amor emugrece por não te dar
Ambos frutos proibido somos !

Secaram minhas forças de lutar
E Com elas de continuar a viver
Mas nunca diga que amor fomos

Se não ainda venho relutar
Janelas abertas deixe para eu á ver
Em noites de luas estes frutos comeremos

António Vicente Aposiopese

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Estações Do Meu Coração

Estações do meu coração

Caem as pétalas e florecem,
Na manhã que chove o verão,
Despede-se a despida ilusão.
Arilhos no inverno crescem...

Os teus beijos no outono caem,
E apanho co's olhos da paixão,
E co's mesmos faço devolução.
Na primavera rejuvenescem...

E vivo eu nestas constantes
Estações do meu coração
Que ora quente, ora frias

Ora doce, ora desilusão,
Igual ao que tanto querias;
Tens-me nas tuas mãos lecitantes !...

António Vicente Aposiopese

04/05/13